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Olá, Mateus! Eu por aqui novamente no seu texto. Obrigado por apresentar o artigo Claessen et al., “Coronary atherosclerosis in athletes: emerging concepts and preventive strategies” e comentá-lo. Não quero fazer desse espaço uma consulta … kkkk, mas confesso que, no início, fiquei um pouco preocupado, porque me considero um “atleta amador” de alto volume.

Tenho 58 anos e treino cerca de 30 km de corrida, 3 km de natação e uma bike ainda bem modesta por semana, mas sempre tentando fazer tudo isso com uma preocupação que vai além da performance.

Comparando com a minha carga horária de consultório e aulas, esses treinos ainda parecem bem leves, pode acreditar!

Como tenho alguma familiaridade profissional com fisiologia do exercício e com a reabilitação de atletas amadores, minha estratégia tem sido construir volume sem transformar todo o treinamento em intensidade. Com relação à minha corrida, por exemplo, ela acontece “limpa” em Z2 de frequência cardíaca e tenho apenas um treino semanal em Z3 (cerca de 20%). A ideia sempre foi desenvolver a minha base aeróbica, melhorar a economia do movimento e aumentar progressivamente minha capacidade de sustentar esforços, sem fazer da intensidade o centro do treinamento. Tenho consciência de que um treino mal estruturado pode produzir uma espécie de “fadiga silenciosa”, que vai se acumulando em diferentes sistemas orgânicos.

Por isso, achei interessante perceber que os dados discutidos no artigo colocam a intensidade elevada como uma variável que merece atenção na exposição crônica ao endurance, enquanto que o volume de exercício não aparece da mesma maneira associado à progressão da aterosclerose.

Evidentemente, esse estudo não nos permite afirmar que a Z2 é uma “zona protetora”, mas a leitura me fez perceber que a minha escolha de muito volume, predominantemente em baixa intensidade, e intensidade como estratégia pontual e específica, não como objetivo parece fazer sentido.

Para quem treina por prazer, mas também quer continuar treinando por muitos anos, pensando em bons estímulos fisiológicos, longevidade e prevenção de lesões, essa visão dialoga de alguma maneira com o que o estudo está mostrando.

Obrigado mais uma vez por trazer esse tipo de conteúdo e provocar essas reflexões. Foi muito interessante poder olhar para a minha própria estratégia de saúde física e mental a partir dos seus comentários.

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