Olá, Mateus. Gostei bastante do seu texto e, principalmente, de quando você falou: “Você que me acompanha aqui já sabe que eu não entrego dado sem entregar o defeito dele junto.”
Seu texto está muito bem construído e traz dados muito consistentes. Vou fazer um pequeno “recorte” para iniciar uma conversa contigo. Vou pegar a análise sobre o handgrip, pois ela me fez pensar em uma questão que dialoga com algo que venho refletindo há algum tempo. Na verdade, é um assunto que aparece no meu consultório todos os dias.
Não sou contra a musculação, muito pelo contrário. Minha questão é conceitual. Fisioterapeutas e profissionais de Educação Física trabalham com a física (alavancas, vetores de força, aceleração, entre outros) e não com o físico. Às vezes fico pensando se muitos profissionais ainda estão valorizando excessivamente a estética e a performance, quando muitas atividades que fazemos no cotidiano já são, em si mesmas, estímulos para músculos, articulações e demais estruturas. Nesse caso, talvez a diferença esteja muito mais associada à dosimetria e à abrangência dos estímulos aplicados.
O exemplo do handgrip me parece interessante justamente por isso. Sabemos, e você mesmo coloca no texto, que a força de preensão não precisa ser entendida apenas como manifestação da força da mão. Ela é um marcador da capacidade muscular global. Ou seja, temos uma medida aparentemente segmentar que nos ajuda a compreender algo que é muito mais amplo do que o segmento avaliado. Então, não precisamos ensinar “apertar uma bolinha de borracha” para diminuir a incidência de problemas cardiovasculares.
Isso me faz pensar que talvez possamos olhar para a própria musculação de maneira semelhante. Mais importante do que perseguir determinados marcadores de força ou massa muscular talvez seja mais importante compreender o efeito global que os estímulos produzem no corpo e criar condições para que nossos alunos e pacientes continuem respondendo bem às demandas da vida cotidiana. Levantar, arrastar e rolar no chão, carregar objetos, caminhar, subir e descer escadas... enfim, manter-se capaz de realizar as funções da vida.
O que me interessa nessa discussão é justamente essa passagem de um estímulo ou de uma medida localizada para aquilo que ela representa na globalidade do indivíduo. Dessa forma, qualquer atividade pode carregar esse componente de “musculação”. Melhor dizendo, o conceito de musculação pode estar dentro de qualquer atividade. Basta vermos a física, e não o físico.
Muito obrigado pelo seu texto. Vou reler com mais carinho e também acessar a bibliografia que você disponibilizou. Espero poder acompanhar e discutir outros assuntos dessa natureza aqui no seu Substack, pois esse tipo de reflexão muito me interessa.
Concordo perfeitamente com tudo que disse. Usei muito o termo musculação para quem não é profissional de saúde conseguisse assimilar mais. Mas compreendo e concordo também que qualquer atividade braçal que nos movimente e force a musculatura devem ter papel semelhante ou até melhores que puramente a musculação, que hoje tem como principal foco a estética (tanto dos praticantes quanto profissionais).
É muito bom ver pessoas curiosas e questionadoras na nossa área, sem fazer terrorismos ou narrativas em cima para tentar conseguir algo.
Muitos casos de pessoas saudáveis que nao usam anabolizantes.Seria importante investigarem as causas para que outras nao morram.Tem crianças e adolescentes tendo AVC e infartos.
Olá, Mateus. Gostei bastante do seu texto e, principalmente, de quando você falou: “Você que me acompanha aqui já sabe que eu não entrego dado sem entregar o defeito dele junto.”
Seu texto está muito bem construído e traz dados muito consistentes. Vou fazer um pequeno “recorte” para iniciar uma conversa contigo. Vou pegar a análise sobre o handgrip, pois ela me fez pensar em uma questão que dialoga com algo que venho refletindo há algum tempo. Na verdade, é um assunto que aparece no meu consultório todos os dias.
Não sou contra a musculação, muito pelo contrário. Minha questão é conceitual. Fisioterapeutas e profissionais de Educação Física trabalham com a física (alavancas, vetores de força, aceleração, entre outros) e não com o físico. Às vezes fico pensando se muitos profissionais ainda estão valorizando excessivamente a estética e a performance, quando muitas atividades que fazemos no cotidiano já são, em si mesmas, estímulos para músculos, articulações e demais estruturas. Nesse caso, talvez a diferença esteja muito mais associada à dosimetria e à abrangência dos estímulos aplicados.
O exemplo do handgrip me parece interessante justamente por isso. Sabemos, e você mesmo coloca no texto, que a força de preensão não precisa ser entendida apenas como manifestação da força da mão. Ela é um marcador da capacidade muscular global. Ou seja, temos uma medida aparentemente segmentar que nos ajuda a compreender algo que é muito mais amplo do que o segmento avaliado. Então, não precisamos ensinar “apertar uma bolinha de borracha” para diminuir a incidência de problemas cardiovasculares.
Isso me faz pensar que talvez possamos olhar para a própria musculação de maneira semelhante. Mais importante do que perseguir determinados marcadores de força ou massa muscular talvez seja mais importante compreender o efeito global que os estímulos produzem no corpo e criar condições para que nossos alunos e pacientes continuem respondendo bem às demandas da vida cotidiana. Levantar, arrastar e rolar no chão, carregar objetos, caminhar, subir e descer escadas... enfim, manter-se capaz de realizar as funções da vida.
O que me interessa nessa discussão é justamente essa passagem de um estímulo ou de uma medida localizada para aquilo que ela representa na globalidade do indivíduo. Dessa forma, qualquer atividade pode carregar esse componente de “musculação”. Melhor dizendo, o conceito de musculação pode estar dentro de qualquer atividade. Basta vermos a física, e não o físico.
Muito obrigado pelo seu texto. Vou reler com mais carinho e também acessar a bibliografia que você disponibilizou. Espero poder acompanhar e discutir outros assuntos dessa natureza aqui no seu Substack, pois esse tipo de reflexão muito me interessa.
Que resposta boa de ler, Alexandre.
Concordo perfeitamente com tudo que disse. Usei muito o termo musculação para quem não é profissional de saúde conseguisse assimilar mais. Mas compreendo e concordo também que qualquer atividade braçal que nos movimente e force a musculatura devem ter papel semelhante ou até melhores que puramente a musculação, que hoje tem como principal foco a estética (tanto dos praticantes quanto profissionais).
É muito bom ver pessoas curiosas e questionadoras na nossa área, sem fazer terrorismos ou narrativas em cima para tentar conseguir algo.
É um prazer te ter por aqui!
Sei lá...ultimamente tem morrido muitos jovens saudáveis de AVC e infarto.Tá estranho.
Povo quer músculo para mostrar e busca saídas bombadas!
Muitos casos de pessoas saudáveis que nao usam anabolizantes.Seria importante investigarem as causas para que outras nao morram.Tem crianças e adolescentes tendo AVC e infartos.