O que essa newsletter é — e o que ela não é
Uma carta de apresentação.
Hoje vivemos uma fase de abundância de informação. Redes sociais cada vez mais cheias de conteúdos, Youtube te ensinando o que a vida não ensinou e a IA esclarecendo quaisquer dúvidas que surgem.
Então por quê, em sã consciência, alguém em 2026 resolveria criar uma newsletter para tentar ajudar as pessoas a tomarem melhores decisões para a saúde do seu coração?
Vou te contar a minha história - e as minhas inquietações, que te farão entender o real motivo de eu estar aqui.
Eu me formei em Uberaba e vim pra São Paulo pra me tornar especialista. Passei pela clínica médica na Unifesp (Escola Paulista de Medicina), e foi ali que minha cabeça começou a mudar.
Entenda o cenário: eu cresci vendo a cardiologia de perto. Meu pai é hemodinamicista (o cardiologista intervencionista que abre a artéria do coração entupida e coloca os famosos stents) e essa especialidade sempre teve brilho nos meus olhos.
Conseguir, através de técnicas minimamente invasivas, entrar dentro do coração e tratar a obstrução das artérias mais importantes do coração é lindo.
Só que, no meio da clínica, eu comecei a perceber outra coisa: o que mais determinava o destino dos pacientes não era o procedimento em si — era tudo que vinha antes.
A forma como as pessoas viviam, o que ignoravam, o que adiavam, o que acreditavam. E, com tudo isso, como a medicina era comunicada.
Foi quando eu mergulhei de verdade em análise crítica de estudos científicos, estatística e medicina baseada em evidências.
Então descobri um incômodo que virou impossível de desver: a medicina real raramente é “sim ou não” como culturalmente queremos acreditar. Ela é probabilidade. É risco. É decisão com incerteza.
Eu fui pra cardiologia no Instituto Dante Pazzanese. E, após 2 anos para me tornar cardiologista, escolhi me especializar em emergências cardiovasculares.
Foram dois anos vivendo a experiência real de um pronto-socorro cardiológico: pacientes chegando infartados todos os dias. A mesma cena, repetida com rostos diferentes.
Após mais 2 anos, decidi então entrar na hemodinâmica. O caminho que já estava escrito.
Queria estar na última fronteira do cuidado, onde você abre a artéria fechada e salva o que dá pra salvar.
E foi ali — no lugar que parece ser o “final vitorioso” — que eu tive a consciência mais importante da minha formação.
Na hemodinâmica, nós vemos o estrago. Não só nas coronárias, mas no coração e na vida. Vemos a doença avançada, o tempo perdido, o corpo pagando juros de anos.
E com humildade percebi algo ainda mais duro: nem sempre, mesmo com técnica impecável, ao lado dos melhores hemodinamicistas do país e com o melhor recurso possível, o resultado é o que a gente gostaria.
A frase que começou a aparecer na minha cabeça era simples:
aqui chegamos tarde demais.
A hemodinâmica é um corpo de bombeiros. Você apaga o incêndio. Você é essencial quando a casa está pegando fogo - inclusive salva muitas vidas.
Mas você não consegue impedir que outros incêndios aconteçam se a pessoa volta pra mesma rotina, pro mesmo risco, pro mesmo ambiente.
E a situação piora.
Quando essa pessoa procura por informações na internet e redes sociais surge um outro grande lado da moeda: os excessos.
Um mundo de informação infinita sobre saúde, um mercado de longevidade e wellness que muitas vezes vende prevenção… mas entrega ansiedade.
Um loop em que a pessoa “se cuida” cada vez mais e, paradoxalmente, vive cada vez mais preocupada.
Exames demais, suplementos demais, monitoramento demais, medo demais. E, no meio desse ruído todo, o essencial — o que realmente reduz risco de infartar — fica escondido, entediado, negligenciado.
Eu não considero quem cai em todo esse hype de bem-estar e longevidade como fraco ou bobo. É humano. O sistema é feito pra capturar e vender.
Foi aí que eu decidi meu posicionamento com clareza: eu não vou ser mais um médico adicionando coisas na sua lista.
Eu quero ser o cardiologista que te ajuda a tirar coisas da lista — sem negligência e sem romantizar o “não faça nada”.
Eu acredito que existe um conjunto mínimo e essencial de ações que realmente previnem infarto e AVC e, de fato, aumentam a longevidade.
O resto, na maioria das vezes, é ruído — e ruído custa caro. Custa dinheiro, custa tempo, custa paz e custa clareza.
Então meu trabalho virou este: separar sinal de ruído e te devolver o volante. Te mostrar o que muda risco de verdade, com ciência, sem terrorismo, sem promessa mágica.
É isso que essa newsletter é.
Uma edição por semana. Um tema tratado com profundidade. Ciência cardiovascular traduzida para decisões reais — com a calma e a honestidade que o assunto merece.
E o que ela não é:
Não é venda de suplemento. Não é lista de “10 hacks para o coração”. Não é urgência artificial. Não é resposta simples para pergunta complexa. E quando eu não souber a resposta, vou te dizer que não sei — porque incerteza honesta constrói mais confiança do que falsa certeza.
Existe um conjunto pequeno de coisas que realmente previnem infarto — e eu vou te mostrar exatamente o que são.
Fazer menos. Fazer certo.
E viver com mais tranquilidade — não com mais medo.


Ótimo conteúdo! Adorando acompanhar
Demais!! Muito interessante